Passei os dias olhando as horas, pensando em quantas vezes me vi assim, desprovido de pensamentos, simplesmente olhando. Há momentos que não percebemos o quão difíceis são nossos dias e assim vivemos mais intensamente. Há dias que não sabemos se as horas passam no compasso acelerado de nossos corações em fúria, ou se simplesmente se arrastam na cadência lenta e gradual dos passos infantis que nos cercam. Olhei em volta de mim e não me vi, refletido no espelho das almas alheias que insistiam em me cercar. Não me sinto apenas sozinho, me sinto desprovido de eu, nos absurdos que a vida prega, nas peças que assistimos sem ver. E nas calçadas calcadas na areia, brincamos, na ânsia infinita de ver e ver e ver, sem jamais ouvir, sentir ou pensar além.



Escrito por Marcelo de Souza às 12h48
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Escrito por Marcelo de Souza às 17h28
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Será verdade que temos tanto tempo
Para nos perdermos dentro de sonhos
E jogarmos nossas palavras ao vento?
Eu sonho e vejo os sonhos de quem me ama
Mas desejo não conhecer seus medos
Pois se conhecê-los hei de querer extirpá-los
Senta-se ao meu lado e veja o vento
Ao redor de nós um tempo que foi, mas deixou de ser
No momento único que nossos olhos se encontraram
Em transe, na lógica absurda de viver.




Escrito por Marcelo de Souza às 12h57
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