Passei os dias olhando as horas, pensando em quantas vezes me vi assim, desprovido de pensamentos, simplesmente olhando. Há momentos que não percebemos o quão difíceis são nossos dias e assim vivemos mais intensamente. Há dias que não sabemos se as horas passam no compasso acelerado de nossos corações em fúria, ou se simplesmente se arrastam na cadência lenta e gradual dos passos infantis que nos cercam. Olhei em volta de mim e não me vi, refletido no espelho das almas alheias que insistiam em me cercar. Não me sinto apenas sozinho, me sinto desprovido de eu, nos absurdos que a vida prega, nas peças que assistimos sem ver. E nas calçadas calcadas na areia, brincamos, na ânsia infinita de ver e ver e ver, sem jamais ouvir, sentir ou pensar além.
Escrito por Marcelo de Souza às 12h48
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